Assim que entras no Museu do Futuro, no Dubai, percebes logo que não vai ser uma visita a um museu convencional. Só o átrio, que em muitos museus é um espaço insípido e funcional, tem dezasseis metros de altura e apresenta uma escadaria curva em forma de dupla hélice com criaturas robóticas a observarem de cima, o que já é um forte indício de que os visitantes não vão encontrar aqui exposições tradicionais nem vitrinas com artefactos. Esta experiência é algo mais próximo do teatro.
Mensagens escritas à luz do sol
A Daria e eu estávamos lá para a Exposição Photopills e, graças ao evento, pudemos entrar no museu antes de abrir ao público. Também fomos levados ao sétimo andar, que normalmente está fechado ao público. Ver o edifício de manhã cedo, antes de se encher de turistas, foi uma experiência quase sobrenatural. A caligrafia que adorna a fachada do museu continua no interior como luz, com as palavras do xeque Mohammed bin Rashid al Maktoum a fluir pelas superfícies interiores em escrita árabe. Contra as superfícies brancas e minimalistas, as paredes parecem transportar mensagens escritas à luz do sol.
O dilema do fotógrafo
Costumo fotografar arquitetura. Normalmente, isso dá-me um ponto de referência a partir do qual trabalhar, seja uma vista específica, uma fachada ou uma qualidade de luz interessante numa determinada hora do dia. Mas o Museu do Futuro é diferente de qualquer outra estrutura que já fotografei, incluindo o seu exterior à noite. Não oferece nenhum dos pontos de referência ou características dos outros edifícios. Cada piso do museu é um mundo à parte, começando por uma estação espacial simulada no ano de 2071, no quinto piso, onde os visitantes entram no museu. A partir daí, desces por vários «capítulos»: uma floresta tropical, um santuário de meditação, a Biblioteca da Vida, uma coleção do ADN de 2400 espécies que brilha numa sala escura. A luz muda e as paletas de cores variam de piso para piso, e o efeito geral é o de um edifício que, de alguma forma, é um ser vivo.
Para um fotógrafo, o museu é fascinante, mas desafiante. O seu interior singular oferece uma infinidade de fotos óbvias e impressionantes, mas encontrar uma que não seja tão óbvia requer paciência. Ficas para trás; esperas. A luz muda e a caligrafia move-se ao longo dos pisos e das paredes. De vez em quando, encontras uma certa qualidade de luz a espalhar-se pela estrutura exterior do museu, ou reparas num visitante a olhar para o céu, momentaneamente hipnotizado por esta linguagem luminosa.
O Museu do Futuro foi construído na forma de uma história e não deve ser explorado a um ritmo apressado. Reserva pelo menos duas ou três horas para vivenciar adequadamente o edifício e a sua magia transitória.











